quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Por que desintoxicar-se com alimentos orgânicos?

Conceição Trucom* Em 1936, há 70 anos atrás, o Senado Americano já afirmava que o solo das fazendas daquele país estava deficiente de minerais, acarretando carências na grande maioria da população americana. Em 1992, documento publicado por este mesmo Senado revelou que o solo agrícola americano apresentava um déficit de 85% de minerais essenciais contra uma média mundial também alarmante de 75%. Em 2.001 a nutricionista inglesa Shane Heaton revisou 400 trabalhos científicos num projeto da "Soil Association" (instituição de pesquisa britânica) e observou que os teores de minerais e vitaminas dos produtos da agricultura convencional caíram vertiginosamente na última metade do século e, associou esse fato ao crescimento da indústria de suplementos alimentares. O fato é que na agricultura, existe uma relação direta entre os princípios metodológicos e principalmente a integridade do solo, com a qualidade do alimento produzido. A tecnologia agrícola que ara e mata o solo em sua qualidade e integridade irá gerar alimentos pobres de qualidade e vitalidade. Assim como nós, a vida do solo necessita de alimento, que é matéria orgânica diversificada. Monoculturas com uso massivo de herbicidas não garantem a vida do solo, nem a saúde da colheita, nem água nos rios. Excesso de plantas invasoras como as ervas daninhas, são plantas indicadoras de deficiências do solo e, se manifestam para possibilitar um saneamento do mesmo. Essa condição empobrecida da terra causa deficiências nas plantas neles cultivadas, que fragilizadas e mais vulneráveis, geram a demanda de mais agrotóxicos. Portanto eliminar o mato ou a praga sem questionar possibilidades, em princípio anti-econômicas, não é a solução, mas o início de uma morte lenta de todo o eco-sistema. Diferentemente, num solo vivo, a integridade e biodiversidade da flora e da fauna deste sistema; dispõem para as plantas uma variedade equilibrada de nutrientes, acarretando qualidade nutricional para todos os envolvidos no processo. E mais que isso, a sustentabilidade desta atividade agrícola. Tal fato explica a qualidade diferenciada que apresenta a composição do alimento cultivado num solo vivo. Bob Smith publicou em 1993 no Journal of Applied Nutrition (pg 35-45) estudo sobre a composição de vários produtos orgânicos comparados aos equivalentes obtidos pela agricultura convencional. Um exemplo, ficou constatado que o trigo orgânico continha 1.300% mais selênio, 540% mais manganês, 430% mais magnésio; e por outro lado apresentou 65% menos chumbo e 40% menos mercúrio, que são metais pesados presentes na composição de alguns agrotóxicos. Em relação ao milho Bob Smith constatou que o teor de cálcio era 1.800% maior no orgânico, assim como 1.600% mais rico em manganês, 490% em molibidênio, 300% mais selênio; por outro lado com 80% menos alumínio e 80% menos mercúrio. No geral, os alimentos orgânicos apresentam marcada tendência na redução dos níveis de nitratos (adubos químicos), incremento significativo no teor de vitamina C e outros anti-oxidantes, como também maior disponibilidade protéica. Portanto, o alimento originário de uma cultura orgânica é evidentemente mais rico em micro-nutrientes, são isentos de agrotóxicos e ainda preservam todo o eco-sistema para que ele permaneça produtivo com qualidade e integridade. Assim, falando de alimentação desintoxicante, deve estar sendo óbvio que ela pode ter início com a própria seleção do alimento que será usado no preparo dos sucos e receitas desintoxicantes. A nutrição é o resultado da interação entre o alimento e organismo. Quanto mais intoxicado um organismo, menor a sua capacidade de assimilar o alimento na sua totalidade, maior a sua debilidade e vulnerabilidade às doenças, portanto menor a sua interação e cumplicidade com o alimento. Assim, a decisão pela desintoxicação associada com a escolha de alimentos orgânicos pode ser uma dinâmica que acelera todo o processo de resgate das qualidades, integridades e equilíbrios. Do solo vivo, obtém-se um alimento vivo que se integra ao Ser vivo. Assim como nas plantas, a intoxicação é um mal que se instala na baixa produtividade de todos os setores da vida. Ela se manifesta através de uma ou várias dificuldades de saúde, que devem ser entendidos como um sinal de alerta. O bom senso é promover revisão e mudança de hábitos, de qualidade de vida. O primeiro passo é atenção com o que estamos ingerindo, revitalizando os pensamentos, a auto-estima, o olfato e o paladar para sentir atração para alimentos que realmente nutrem. O segundo passo é deixar o que é resíduo ou excreto saia, seja ele físico, emocional ou mental, deixando espaços novos para o crescimento e a produtividade. Para finalizar, desintoxicar-se é uma decisão fundamental que irá permitir maior assimilação da vida e interação com a vida. O alimento orgânico não é uma opção naturalista ou de modismo, mas uma atitude de vida, uma consciência holística, começando por fazer uso ao que de melhor a terra tem, do respeito para consigo, para com a terra e com todos que nos cercam. Somos todos um.

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